sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Moda retrô: biquinis e maiôs

Eu já falei sobre o vintage e neste post vou falar sobre o retrô, pois é importante frisar que não são a mesma coisa. O vintage é algo antigo que pode ser usado hoje em dia em sua forma original. O retrô é algo moderno, mas de inspiração em algo do passado.


Ele não precisa ser exatamente igual um maiô antigo, mas ser uma releitura contemporânea de peças que foram moda no passado, como este lindo maiô estampado frente única, que lembra os muitos usados por Marilyn Monroe.



Não dá pra falar de moda retrô sem entrar num túnel do tempo e ver tudo que já foi moda nas areias e piscinas do mundo, desde que banhar-se em público tornou-se não apenas aceitável socialmente, mas um hábito e, consequentemente, uma oportunidade de lançar moda também. No começo, entretanto, os trajes eram comedidos, como se vê nesta foto de 1922, em Washington, quando o 'hominho' literalmente mede o comprimento do... como chamo isso? Do traje de banho da moça, cujo comprimento hoje daria pra ir à missa.



Aos poucos, thanks Lord, os trajes foram subindo e as mais ousadas podiam ser vistas pelas areias das praias, com trajes como este de Ava Gardner.





A partir dos anos 50, o duas peças já era usado principalmente pelas estrelas do cinema, como Elizabeth Taylor, que escolheu este modelo de babadinhos para um mergulho durante as filmagens de Cleópatra. Um modelo parecido com este retrô usado este ano pela britânica Kelly Brook, em estampa xadrez vicky, popularizada por BB.






O biquini deve a sua popularidade à Brigitte Bardot, que nos anos 60 foi a rainha das areias de St. Tropez.


Quando eu voltava de "Santchos" no final dos anos 70, eu e minhas primas íamos cantando no carro: "Era um biquini de bolinha amarelinha tão pequenininho, mal cabia na Anamaria...". Porque o primeiro biquini de que me lembro vestir, quando tinha lá meus cinco aninhos, era um biquini de bolinhas, só não era esse fraldão que a Marilyn está usando. Já a versão retrô atual, devido à evolução da indústria têxtil, vestem melhor e ficam mais ajustados ao corpo. Até meados dos anos 60, o biquini era mesmo de algodão.




Biquini retrô da minha marca favorita, Mar Rio, encontrada na Acalanto Lingerie, em Catanduva.


Muito, muito antes de Demi Moore fotografar pra capa de uma revista mostrando o barrigão de grávida, Leila Diniz desfilava de biquini pelas areias de Copacabana.


Algo que Kim Kardashian, recentemente, também fez.


Mas hoje em dia precisa de muito mais que isso pra chocar, né. Leila Diniz nos tempos atuais seria considerada uma mulher absolutamente normal, usando biquini, falando o que queria e provavelmente tendo um blog como este, em meio a tantas outras.


Nos anos 70 de Raquel Welch, os biquinis começaram a ficar menores. Os brasileiros, então, nem se fala. Por aqui já se usavam as famosas tangas, que antecederam o fio dental, invenção 100% carioca (que não me ouçam os tupinambás).


No comecinho dos anos 80, Monique Evans e Xuxa posavam sem silicone, biquinis minúsculos com a parte de cima cortininha, que podiam ser de crochê, e na parte de baixo o famoso "enroladinho". Eu usei esse e vocês?


No final dos anos 80 e começo dos 90, só dava Claudia Schiffer e o biquini asa delta.



Quando Gisele Bundchen começou a desfilar no Morumbi Fashion, os biquinis brasileiros, que sempre estiveram na frente em termos de ousadia, começaram a ganhar o mundo, com marcas que começavam em fundos de quintais da Grande São Paulo e que hoje já exportam para o mundo inteiro, lançando suas novas coleções na SPFW.



A mais nova coleção da Salinas foi muito retrô, evocando a era de ouro de Copacabana, com sua Garota de Ipanema e o elegantérrimo Copacabana Palace.



 A Triya também tomou carona nessa brisa retrô com algumas calcinhas bem altas.









Hoje em dia, as tendências são várias, como o "ripple", com esta nervurinha no meio da parte de baixo, que salienta as curvas. E a globalização faz com que lindos biquinis sejam criados no mundo todo e que haja um intercâmbio fashion: modelos brasileiras posando para marcas estrangeiras e modelos estrangeiras posando para marcas brasileiras.


Aqui a brasileira Izabel Goulart para a revista Sports Illustrated:




E aqui a sul-africana Candice Swanepoel para a marca brasileira Água de Coco, num ensaio muito bonito nas piscinas naturais de Pamukkale, Turquia.






Mas o Brasil continua referência mundial na moda praia, como neste maiô de leve influência retrô e tropicalíssimo, com algo que só o Brasil tem: cajus!



E coitadinhos dos homens... enquanto a moda praia feminina foi tão criativa durante quase um século de história de trajes de banho, os trajes masculinos pouco mudaram, a não ser no que diz respeito a estampas e alterações sutis no tamanho, o que não necessariamente foi proporcional à linha do tempo. As tanguinhas infames de Fernando Gabeira (aquele que sequestrou o embaixador americano e hoje é um engravatado deputado) e Caetano Veloso (hoje cult figurinha assídua da revista Caras). Mas, tudo bem, se você foi até o Google checar os trajes dos moços nos anos 70, e agora precisa apagar essa imagem da memória, aqui vai uma fotita de sunga preta bem recheada.

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